sábado, 3 de março de 2012

ENFRENTANDO OS LEÕES

Um terrível brado penetra o acampamento. Os nativos
aterrorizados gritam: ‘Tomem cuidado, irmãos, o diabo está
chegando!’. Porém, o clamor do aviso não ajudará em nada e, mais
cedo ou mais tarde, gritos agudos e agonizantes quebrarão o
silêncio, e outro homem não responderá à lista de chamada na manhã
seguinte.[1]


Era março de 1898 e o estudante de engenharia John Henry
Patterson, de 31 anos, estava no Quênia para construir uma ponte
ferroviária sobre o rio Tsavo. Logo após a sua chegada, dois cruéis
leões devoradores de homens começaram a aterrorizá-lo e a seus
trabalhadores. Patterson escreveu em seu diário: “Nada os perturba
ou assusta, e eles mostram um completo desprezo por seres humanos,
exceto como alimento”.[2]
Essas feras eram tão perspicazes que os trabalhadores nativos
começaram a acreditar que realmente eram o Diabo no corpo de leões.
Até serem mortos, tinham devorado cerca de 140 trabalhadores.
As Escrituras alertam que Satanás, como um leão, também é um
predador que ataca incansavelmente suas vítimas. O apóstolo Pedro,
que aprendeu por experiência própria o que é ser usado pelo Diabo,
avisou: “Sede sóbrios e vigilantes. O Diabo, vosso adversário,
anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”
(1 Pe 5.8, cf. Mt 16.23).

Vencer Satanás requer vigilância diária, a cada momento. Uma vida
de fé em Jesus Cristo é uma vida de implacável conflito espiritual.
Se você falhar em equipar-se para ele, colherá as conseqüências. O
alvo de Satanás é devastar a humanidade; mas, ainda mais, aniquilar
a vida dos cristãos.
Portanto, os cristãos precisam aprender e usar três princípios
essenciais para posicionar-se contra o Maligno: todo cristão precisa
(1) manter uma posição firme no conflito, (2) empregar a proteção
apropriada para o conflito, e (3) sempre manter uma perspectiva
correta do conflito.

Uma Posição Firme

Os leões de Tsavo eram os reis de sua própria terra. Eles
enfrentavam qualquer um. As Escrituras chamam Satanás de “o príncipe
deste mundo” e “o deus deste século” (Jo 12.31; 2 Co 4.4). Porém, o
seu reino está sujeito à vontade de Deus (Jó 1.12). Com isso em
mente, a primeira lição na luta é aprender tudo o que você pode
sobre seu inimigo: “Nem deis lugar ao Diabo...”; “...para
que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos
os desígnios” (Ef 4.27, 2 Co 2.11).

Infelizmente, muitos cristãos são ignorantes, principalmente na
doutrina bíblica. Como os leões, Satanás e seus demônios rondam
procurando oportunidades de espalhar idéias falsas. A maior defesa é
estudar, conhecer e praticar a Palavra de Deus diariamente. Jesus
disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois
verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a
verdade vos libertará” (Jo 8.31-32).
Satanás é um mentiroso (Jo
8.44). O segredo é avaliar todas as coisas pela Palavra de Deus.
Foi uma visão terrível encontrar restos repulsivos dos
trabalhadores que haviam sido atacados pelos leões de Tsavo.
Patterson prometeu eliminar os leões do local e terminar a sua
ponte. Os cristãos precisam ter a mesma resolução e permanecer
firmes contra Satanás. Primeiro, ter certeza em seu coração de que o
Senhor Jesus verdadeiramente é o seu Salvador pessoal (Jo 3.16).
Confesse todos os pecados conhecidos (1 Jo 1.9). Deseje, com a ajuda
de Deus, abandonar a prática habitual de todo pecado (Pv 28.13). E,
finalmente, renda sua vida e tudo o que você tem a Deus:
“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá
de vós” (Tg 4.7).

A Proteção Adequada


“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne.
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim
poderosas em Deus, para destruir fortalezas...” (2 Co 10.3-4).
John Patterson caçou os leões usando um rifle inglês de calibre
.303 bolt-action e uma espingarda de caça calibre 12. Ele os
avistou diversas vezes, e até os surpreendeu em uma ocasião. Mesmo
assim, eles escaparam. Em desespero, ele sabia que precisava usar
todo o seu treinamento e sua habilidade com armas para ser capaz de
matá-los.
Nós, também, precisamos usar armas específicas contra Satanás.
Apesar de diferentes, elas requerem prática e habilidade para serem
usadas competentemente:
“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a
carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim
poderosas em Deus, para destruir fortalezas...” (2 Co 10.3-4).

Nossa armadura de guerra encontra-se em Efésios 6.11-18. A imagem
usada é a de um valente soldado romano. Para prevalecer contra o
Maligno, os cristãos precisam, necessariamente, vestir “toda a
armadura de Deus” (Ef 6.11):

Cinto

A primeira linha de defesa é a “verdade” (Ef 6.14). O
termo significa ter a mente livre de fingimento e falsidade. Satanás
depende de mentiras e engano. “Cingir-nos com a verdade” é a
proteção forte contra a hipocrisia.

Couraça

Um soldado romano vestia uma couraça para proteger seu coração e
seus órgãos vitais. Um cristão precisa vestir a “couraça da
justiça” (Ef 6.14b).
Satanás é um acusador, que aponta
constantemente a falta de merecimento dos seguidores de Cristo (Ap
12.10). Essa tática pode ser extremamente desencorajadora.
Porém, Cristo tratou das acusações contra nós concedendo-nos Sua
justiça: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por
nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).

Assim, não há necessidade de desespero: “Pois, se o nosso coração
nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e
conhece todas as coisas” (1 Jo 3.20).

Permitindo que Deus nos torne “conformes à imagem de Seu
Filho” (Rm 8.29),
Sua santidade é revelada em nossa vida na
forma de uma defesa forte e diária; e podemos nos revestir “do
novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da
verdade” (Ef 4.24).

Calçado

Sandálias robustas e com cravos nas solas davam uma base
confiável ao guerreiro. Em superfícies lisas, porém, elas eram
perigosas por falta de boa tração. Os seguidores de Cristo obtêm a
segurança de um fundamento confiável através do Evangelho da paz:
Jesus Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressurgiu ao
terceiro dia, e foi visto por muitos (1 Co 15.3-6). O inimigo quer
muito fazer você deslizar, com programas e doutrinas falsas. Os
crentes precisam tomar cuidado para não escorregarem em suas
emboscadas. A Boa Nova de Cristo é a única base sólida para
firmar-se.

Escudo

Um soldado da infantaria romana nunca ia à batalha sem seu
escudo. Geralmente ele era grande e retangular, com uma leve
curvatura nos lados para a proteção corporal.
As Escrituras nos contam que Satanás atira constantemente
“dardos inflamados”
na forma de muitas tentações. O propósito
principal de embraçar “sempre o escudo da fé” é apagar os
seus dardos (Ef 6.16). Um escudo romano também servia para
encaixar-se com outros escudos, para criar uma eficiente “formação
tartaruga” na batalha. A junção de escudos da fé com outros crentes
cria uma defesa formidável contra os assaltos espirituais (Sl
37.40).

Capacete

O capacete também era bem projetado. Ele tinha uma aba traseira
para proteger a nuca de qualquer golpe. As abas de cada lado
protegiam a face, e a da frente protegia contra pancadas
direcionadas à cabeça ou à face. Obviamente, esse equipamento era
vital.
O “capacete da salvação” aponta para nossa “esperança
de salvação” (1 Ts 5.8).
A palavra esperança significa
“expectativa alegre e segura da libertação eterna”. O Maligno
procura golpear nossas cabeças para plantar nelas sementes de dúvida
e desespero. Entretanto, o capacete dos crentes verdadeiros está
firmemente posicionado. Primeiro, a fé na obra consumada na cruz
garante a salvação da pena do pecado (2 Tm 1.9). Segundo, andando
pela fé no Senhor, temos salvação do poder do pecado (Fp 2.12-13).
E, finalmente, podemos aguardar nossa futura salvação da presença do
pecado : “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da
glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.13).

Espada

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do
que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir
alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os
pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12).

Na cintura de cada soldado romano estava pendurada sua arma
principal: o gladius. Esta era uma espada relativamente
curta, afiada nos dois gumes. Em mãos de guerreiros treinados, ela
era mortal. A espada dos crentes é a Bíblia. De fato, foi apenas a
Palavra que Jesus usou com eficiência contra o ataque de Satanás no
deserto (Mt 4.1-11).
Quando estudada e aplicada, a Palavra de Deus é a defesa máxima
contra os artifícios do Maligno. Falar a Palavra com autoridade é a
melhor ofensiva para arrasar a fortaleza de Satanás (Is 49.2).

Ataques Sorrateiros


Satanás procura nos intimidar com o seu rosnar feroz. Precisamos
ter a perspectiva de Cristo no conflito.
Os leões de Tsavo espreitavam e aproximavam-se silenciosamente de
suas vítimas. O terrível rugido vinha depois que suas vítimas
estavam acuadas ou mortas. Satanás também é persistente e
silencioso. Ele não alerta os filhos de Deus a respeito da sua
presença. Porém, quando consegue enganar sua vítima, através do
pecado, ele ruge com satisfação. Portanto, um cristão que se protege
adequadamente deve estar alerta em todo o tempo “com toda oração
e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com
toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18).

A Perspectiva Correta

Os leões de Tsavo eram aterrorizantes. Do nariz à cauda eles
mediam cerca de três metros. Patterson escreveu que eles tentavam
assustá-lo com um olhar irritado em sua direção, mostrando seus
dentes e rangendo-os furiosamente.
Satanás também procura nos intimidar com o seu rosnar feroz.
Precisamos ter a perspectiva de Cristo no conflito. Satanás não é
igual a Deus. Como é um ser criado, ele tem limitações (Ez
28.12-19). Ele é poderoso, mas não é todo-poderoso (Ap 12.8; 20.2).
Ele não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo (não é
onipresente). Em vez disso, ele governa sobre demônios subordinados
que andam pelo mundo, obedecendo às suas ordens (Mt 12.24; Ef 6.12).
Ele também não tem a onisciência de Deus (1 Cr 28.9). Ele não sabe
de todas as coisas.
Conseqüentemente, embora o Diabo seja um antagonista furioso, ele
não deve nos aterrorizar. Ele não é páreo para Cristo, que já
providenciou nossa vitória através do poder do Seu sangue derramado
(Ap 12.11). Somente em Cristo há libertação do poder de Satanás (At
26.18; Cl 1.13). Cristo, que vive naqueles que verdadeiramente
nasceram de novo, é maior que Satanás (1 Jo 4.4).
John Henry Patterson finalmente acabou com seus leões. Eles estão
em exibição no Field Museum em Chicago, Illinois (EUA). Ainda
agora, ao olhar para eles, seus olhos escuros e inertes evocam
terror. Contudo, eles estão mortos e não podem ferir ninguém. Um dia
o Diabo será lançado na escuridão eterna do Lago de Fogo, para nunca
mais atormentar os fiéis (Ap 20.10).
Até aquele dia, não importa quantas dificuldades e provações
passemos na vida, podemos estar seguros de que temos a armadura
necessária para enfrentar o “leão” e para sermos mais que
vencedores. Além do mais, nada pode nos separar do amor de Deus, que
está em Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 8.37-39). (Peter Colón -
Israel My Glory -
http://www.chamada.com.br)

Nenhum comentário:

Postar um comentário